fabricio carpinejar
segunda-feira, 27 de abril de 2015
“eu me dei conta de que tudo é exercício para estar acompanhado. arranjar a cama, por exemplo. há gente que coloca o cobertor fincado internamente nas bordas do colchão, revelando índole possessiva e ciumenta. há gente que deixa o cobertor solto, mostrando desapego e sociabilidade. há gente que nem ajeita, denunciando solidão e independência. vejo um temperamento nas banalidades.”
"ela/e é muita areia para o teu camião." foi o que se ouviu no corredor do bloco de aulas. quão estúpida é esta frase ? ninguém é demais para ninguém. aparentemente nos apaixonamos por pessoas aparentemente normais e isso não é parvoíce e nem é nada para além do que é mesmo: um súbito presente da vida para nós, que todos nós merecemos.
talvez, ou melhor, é bem provável que eu não seja como essas pessoas magníficas para quem olham e pensam "uau, ela é extraordinária, ela vale a pena".
são frequentes os momentos em que dou mais importância a estar em frente a uma televisão a mudar constantemente de canal para passar o tempo em vez de falar com um amigo com quem já não falo a muito tempo. a verdade é que por mim as minhas amizades vão perdendo intensidade , deixo-as pelo caminho. por mim vão-se perdendo. sou difícil de relacionar, fecho-me numa concha e não deixo entrar nada. para piorar a situação tenho pouquíssima -senão nenhuma- paciência para ir atrás de alguém , juntando isto à nula predisposição que tenho de falar sobre a minha vida , os meus dramas e os meus problemas mas são exactamente estes três pontos que interessam às pessoas , as pessoas adoram saber sobre os nossos problemas e sobre a nossa vida porque ao saberem se acham no direito de opinar em qualquer momento.
simplesmente não sou do tipo de ir com o vento , daí investir em mim seja perda de tempo. nunca vou deixar que as pessoas entrem , ou sequer espreitem, para dentro da minha concha.
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